O uso da modelagem BIM na concepção de projetos de unidades de saúde

Autores/as

DOI:

https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7650

Palabras clave:

BIM, Modelagem arquitetônica, Ensino-aprendizagem, Metodologia de Projeto

Resumen

Este trabalho apresenta a experiência didática que teve como objetivo estimular a aplicação de estratégias projetuais explorando as potencialidades do BIM na concepção arquitetônica de projetos de unidades de saúde. A experiência foi composta de duas ocorrências, de cada uma das duas disciplinas optativas do curso de graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais, ofertadas em 2024: Estratégias Projetuais para Unidades Especializadas de Saúde e Estratégias Projetuais para Unidades Públicas de Saúde, as duas com 60 horas-aula, e 15 alunos participantes em cada uma das quatro ocorrências. As disciplinas fazem parte de um conjunto que é oferecido aos alunos em períodos diferentes da graduação, do terceiro ao nono períodos e, portanto, com níveis diversos prévios de aprendizagem. Logo, ao seu início, fez-se um levantamento da experiência dos alunos, já consolidada em outras disciplinas, para introduzir-se o nivelamento conceitual sobre processos de projeto e a apropriação do BIM, em referência ao esquema conceitual do BIM no campo de tecnologia e no estágio de modelagem [http://www.bimframework.info/]. Dada às potencialidades sistêmicas do BIM em viabilizar modelagens de projetos complexos, a proposta de explorar sua utilização em projetos de unidades assistenciais de saúde oportuniza, aos alunos, a compreensão de sua capacidade de resposta eficaz nos processos de concepção e projeto arquitetônicos, uma vez que as complexidades legais e tectônicas dessas unidades são altas. Assim, as experiências focaram, principalmente, o uso geral de modelagem arquitetônica, código 1010 - na categoria I (geral), nos usos do BIM, de domínio captura e representação:  códigos 2010 - documentação 2D e 2090 – comunicação visual, e de domínio planejamento e projeto: códigos 3010 - concepção e 3040 - autoria de projeto, na categoria II (domínios específicos) da classificação apresentada em BIM Excelence.  [https://bimexcellence.org/resources/200series/211in/].

Nas duas disciplinas, partiu-se do entendimento da legislação do Ministério da Saúde para projetos de Estabelecimento Assistenciais de Saúde/RDC50 e de exemplos de sua aplicação em projetos de obras análogas para, depois, passar-se para as propostas de projetos a serem desenvolvidos. Uma vez apresentados os locais de implantação dos projetos, na disciplina de Unidades de Saúde Especializada, em dois andares de um edifício comercial na região hospitalar de Belo Horizonte e, na disciplina de Unidades Públicas de Saúde, um terreno no hipercentro da cidade, começaram-se as fases de modelagem inicial das ideias em cada uma das disciplinas, de estudos preliminares de fluxos, setorizações e volumetrias. Os alunos puderam explorar as capacidades do BIM na fase de concepção e análise de ideias, modelando investigações sobre as implantações, cenários possíveis de soluções diferentes para os projetos e, com as apresentações em formato de bancas de avaliação e troca de experiências entre os alunos, as propostas dos projetos foram analisadas e discutidas em sala, para exercitar a capacidade crítica em relação ao conteúdo apresentado e às escolhas tecnológicas utilizadas para desenvolvimento dos trabalhos, uma vez que as plataformas BIM foram de livre escolha dos alunos. Dando continuidade ao processo dos projetos, a sua conclusão foi pré-determinada em nível de anteprojetos, e seguiu-se com a investigação das soluções arquitetônicas, com estudos propositivos de estruturas, de infraestruturas e layouts. A abordagem durante as duas disciplinas foi prática, em aulas no formato de ateliê de projetos, com a orientação individual dos alunos por uma professora, nas plataformas Autodesk, em Revit, e na plataforma Graphisoft, em Archicad, em versões educacionais instaladas em computadores próprios. Ao final dos processos, fez-se uma banca de apresentação em sala de aula, com a explicação individual dos projetos, em formato de banner, que reuniu todas as fases desenvolvidas, até as suas documentações e visualizações. Após as bancas finais, os trabalhos foram expostos nas áreas públicas da escola da arquitetura para a sua divulgação.

Os resultados alcançados apontam para as diversas possibilidade de aplicações do BIM em cursos de graduação de arquitetura e urbanismo no Brasil. Os alunos foram desafiados a compreender e experimentar diferentes domínios do BIM, inseridos no uso geral de modelagem arquitetônica, para conseguirem atingir o nível de anteprojeto esperado. Com os exercícios iniciais de modelagem das ideias, onde as investigações de fluxos e setorizações se aprofundaram, eles conseguiram visualizar graficamente e espacialmente a organização programática das unidades, analisando suas potencialidades, entendendo suas complexidades e tomando decisões de projeto que levaram a cabo as suas intenções até as suas soluções finais. Uma das lições aprendidas mais importantes, diz respeito à inserção do BIM nas disciplinas optativas desta modalidade, com a multiplicidade de alunos com experiências prévias diversas, de diferentes períodos do curso de graduação.  Se, por um lado, é desafiador para o professor o nivelamento de conceitos e abordagens de estratégias de projeto utilizando o BIM, uma vez que os alunos apresentam graus de maturidade diferentes devido às variadas experiências projetuais já vividas, por outro lado, a mistura de alunos com maturidades diversas faz com que as aulas sejam enriquecidas pelas trocas possíveis de informações entre eles, e com a participação do professor como mediador dos conhecimentos a serem compreendidos e absorvidos. Assim, as aulas se tornaram bastante dinâmicas e, como os alunos puderam escolher a plataforma BIM de seu interesse, as diferenças dos softwares encontradas também puderam ser abordadas em sala de aula, enriquecendo a compreensão deles das potencialidades e dos desafios em cada uma delas. Para sanar desafios encontrados em alunos que fizeram a disciplina como sua primeira experiência de projeto, com maiores dificuldades de dominar os softwares de desenvolvimento em BIM, sugeriu-se treinamentos online das próprias plataformas, quando existentes, e apoio no programa de monitoria da universidade voltada para este fim, ajudando nas atividades a serem desenvolvidas pelos alunos, mas não diretamente vinculadas às disciplinas ofertadas, sendo de livre escolha dos alunos a sua procura e participação nas ações de monitoria. Como possibilidades futuras, visualiza-se a oportunidade de estender-se as experiências de adoção do BIM para desenvolvimento de outras competências e usos nos cursos de graduação na UFMG, com a possibilidade de aplicações integradas entre os cursos voltados à formação de arquitetos e urbanistas e engenheiros civis, podendo-se replicar experiências que já ocorrem em outras universidades no Brasil.

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Biografía del autor/a

Adriana Tonani Mazzieiro, Universidade Federal de Minas Gerais

Mestrado em Arquitetura e Urbanismo e doutoranda pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora substituta na Universidade Federal de Minas Gerais (Belo Horizonte - MG, Brasil)

Citas

BIM EXCELLENCE. BIM Framework blog. BIMe Initiative Community. Disponível em: <http://www.bimframework.info/>. Acesso em: 25 abril 2025.

BIM EXCELLENCE. Model Uses List. BIMe Initiative Community. Disponível em: <https://bimexcellence.org/resources/200series/211in/>. Acesso em: 25 abril 2025.

BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução de Diretoria Colegiada – RDC nº 50, de 21 de fevereiro de 2002. Diário Oficial da União. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/rdc0050_21_02_2002.html>. Acesso em: 25 de abril 2025.

Publicado

2025-08-18

Cómo citar

MAZZIEIRO, Adriana Tonani. O uso da modelagem BIM na concepção de projetos de unidades de saúde . In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE O ENSINO DE BIM, 6., 2025. Anais [...]. Porto Alegre: ANTAC, 2025. DOI: 10.46421/enebim.v6i00.7650. Disponível em: https://eventos.antac.org.br/index.php/enebim/article/view/7650. Acesso em: 3 may. 2026.

Número

Sección

Experiência de ensino-aprendizagem BIM realizadas