O ensino do BIM 4D no contexto acadêmico

difusão na formação de engenheiros e arquitetos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7729

Palavras-chave:

BIM 4D, Formação Acadêmica, Nova Estratégia BIM BR

Resumo

De acordo com Sacks et al. (2021) , ao longo de 45 anos, a produtividade na indústria manufatureira mais do que dobrou, enquanto a produtividade dos serviços de construção executados no local praticamente não teve alteração
O Building Information Modeling (BIM) é um sistema integrado de políticas, processos e tecnologias que possibilita a gestão eficiente das informações ao longo de todo o ciclo de vida de um empreendimento por meio da criação de um modelo tridimensional virtual, o BIM permite a centralização e utilização de dados essenciais para o planejamento, concepção, construção e operação da edificação, garantindo maior precisão e interoperabilidade entre os agentes envolvidos no projeto (SUCCAR, 2009).
No Brasil a adoção do BIM tem sido incentivada por políticas públicas, como a Nova Estratégia BIM BR, instituída pelo Decreto nº 11.888, de 22 de janeiro de 2024. Essa estratégia visa promover um ambiente propício ao investimento em BIM e sua difusão no país, refletindo uma clara intenção de modernizar o setor da construção (BRASIL, 2024).
Desde os primeiros estudos sobre interoperabilidade na construção, o conceito de BIM 4D tem sido explorado como uma ferramenta para otimizar o planejamento e a execução de projetos (POPOV et al., 2006 ). A necessidade de maior interação entre os profissionais levou ao desenvolvimento de abordagens mais colaborativas para o uso do BIM na educação, permitindo que futuros engenheiros e arquitetos aprendam e testem as funcionalidades do modelo em ambientes virtuais (KU; MAHABALESHWARKA, 2012 ).
A utilização desse modelo já demonstrou benefícios significativos na gestão do canteiro de obras e na redução de inconsistências no planejamento (CHAVADA et al., 2012).
A aplicação do BIM 4D na gestão de segurança também tem sido estudada, demonstrando que essa tecnologia pode contribuir significativamente para a redução de acidentes no canteiro de obras (ZHANG et al., 2015 ). A adoção de simulações 4D para identificação de riscos tem se mostrado uma estratégia eficaz, permitindo prever falhas antes mesmo da execução dos serviços (HAN et al., 2015 ; BOTON et al., 2015).
O ensino universitário de engenharia foi estruturado sob padrões que há mais de uma década não atendem às necessidades do mercado profissional. Observou-se ao longo destes últimos anos um crescente movimento pedindo mudanças nos cursos de engenharia com vista a que atenda às demandas sociais. (FONTENELLE; FREITAS, 2021 )
Estudos como os de Ruschel e Kehl (2024 ) propõem protocolos de implementação curricular do BIM, enfatizando três pilares principais: processos, tecnologia e políticas institucionais. O projeto Construa Brasil foi uma das iniciativas que identificou desafios e oportunidades para integrar o BIM nas universidades brasileiras, destacando a importância de redes acadêmicas para troca de conhecimento e práticas bem-sucedidas (BRASIL, 2025).
Com relação a capacitação profissional ainda representa um desafio para a adoção do BIM conforme demonstrado por Ruschel e Kehl (2024 ) que identificaram a atualização curricular do BIM nos cursos de Arquitetura e Urbanismo é de 50,8%, enquanto nos cursos de Engenharia Civil esse índice cai para 43,6%, evidenciando a necessidade de reformulação curricular e investimentos na formação docente para suprir as exigências do mercado.
O BIM Fórum Brasil em parceria com o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e o Sistema Confea/Crea e Mútua lançou em 2024 a 2ª edição da Pesquisa sobre Digitalização no Âmbito da Indústria da Construção onde apenas 27,9% dos entrevistados utilizam aplicado à construção custeio ou planejamento paramétrico.
Torna-se relevante investigar como a aplicação do BIM 4D pode contribuir para a transformação digital na construção civil brasileira em alinhamento com os objetivos propostos da Nova Estratégia BIM BR. A facilidade de ferramentas que otimizam processos, melhora a eficiência e garantem a qualidade é oriunda da filosofia da construção enxuta, que visa realizar construções mais inteligentes na gestão de recursos e da forma a minimizar desperdícios de mão de obra e materiais (GUERRIERO et al., 2017).
Este trabalho tem como objetivo diagnosticar o nível de conhecimento discente sobre o BIM 4D e avaliar as percepções de alunos de graduação de cursos de Engenharia e Arquitetura quanto às vantagens, barreiras e possibilidades de aprimoramento do ensino dessa metodologia. Para isso, foi realizada uma pesquisa do tipo survey, por meio de um questionário estruturado aplicado via Microsoft Forms. O instrumento foi distribuído entre estudantes de instituições de ensino superior de Curitiba, resultando em 95 respostas válidas. A amostragem foi definida com base em fórmula para populações infinitas, com margem de erro de 10% e nível de confiança de 90%.
O questionário abordou aspectos como perfil acadêmico, familiaridade com o conceito e as aplicações do BIM 4D, percepção sobre ferramentas tecnológicas, e o conhecimento das políticas públicas nacionais voltadas à disseminação do BIM. A análise quantitativa e interpretativa dos dados permitiu identificar que, embora os alunos reconheçam os benefícios do BIM 4D como melhor visualização do processo construtivo e controle do cronograma, o acesso a esse conhecimento ainda é limitado no ambiente universitário e cerca de 59% afirmou desconhecer a Nova Estratégia BIM BR, política pública lançada em 2024 que propõe metas e diretrizes para o uso do BIM no Brasil.
Os resultados indicam a necessidade de integrar de forma mais sistemática o ensino do BIM 4D nas matrizes curriculares, ampliando a formação prática em ferramentas digitais e conectando o ambiente acadêmico às exigências do mercado e às políticas nacionais. O estudo reforça a importância da atuação conjunta entre universidades, setor produtivo e órgãos reguladores para promover uma formação mais alinhada às inovações tecnológicas da indústria da construção.


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Biografia do Autor

Arthur Rocha de Carvalho, Universidade Federal do Paraná

Mestrando em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná. (Curitiba-PR)

André Luiz Debiasio, Universidade Federal do Paraná

Mestrando em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná. ( Curitiba-PR)

Ana Paula Campigoto, Universidade Federal do Paraná

Mestrando em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná. (Curitiba-PR)

Liz Victoria Magnaguagno Neutzling, Universidade Federal do Paraná

Mestrando em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná. (Curitiba-PR)

Sérgio Scheer, Universidade Federal do Paraná

Professor Sênior no Centro de Estudos de Engenharia Civil da Universidade Federal do Paraná.

Referências

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Publicado

2025-08-18

Como Citar

CARVALHO, Arthur Rocha de; DEBIASIO, André Luiz; CAMPIGOTO, Ana Paula; NEUTZLING, Liz Victoria Magnaguagno; SCHEER, Sérgio. O ensino do BIM 4D no contexto acadêmico: difusão na formação de engenheiros e arquitetos. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE O ENSINO DE BIM, 6., 2025. Anais [...]. Porto Alegre: ANTAC, 2025. DOI: 10.46421/enebim.v6i00.7729. Disponível em: https://eventos.antac.org.br/index.php/enebim/article/view/7729. Acesso em: 3 maio. 2026.

Edição

Seção

Planejamento de inserção de BIM na educação