Implantação BIM no Senac RN
ensino-aprendizagem a partir da prática profissional
DOI:
https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7823Palabras clave:
Implantação BIM, Capacitação Profissional, Estratégia Didática, Formação Continuada, Treinamento BIMResumen
A crescente demanda por maior eficiência e integração levou o Núcleo de Obras e Manutenção (N.O.M) do Senac RN, a considerar novas abordagens metodológicas baseadas em Building Information Modeling (BIM). Esse movimento está alinhado tanto à política de transformação digital da construção, com a Nova Estratégia BIM BR (Decreto nº 11.888/2024), que ampliou a articulação governamental e reforçou a ênfase na formação profissional em BIM, quanto às políticas que regem às normativas internas institucionais. Como resposta, foi conduzido um diagnóstico estruturado e fundamentado em observações assistemáticas, sessões colaborativas com a equipe técnica, avaliação dos recursos de hardware e softwares disponíveis, análise dos processos internos existentes e medição do nível de maturidade BIM. Essa medição utilizou tanto critérios consagrados na literatura internacional quanto indicadores personalizados, desenvolvidos a partir das especificidades operacionais do setor. Os resultados possibilitaram a construção conjunta de um plano de capacitação adaptado às necessidades reais do N.O.M, estruturado para apoiar a implantação do BIM no contexto institucional. Esse processo tem promovido avanços coordenados nos campos da tecnologia, dos processos e das políticas organizacionais, conforme o modelo conceitual do BIM Framework. O objetivo deste trabalho é compartilhar essa experiência didático-formativa, apresentando sua concepção, estrutura e resultados, com ênfase na aplicação prática e progressiva dos conceitos de BIM em um ambiente técnico multidisciplinar.
O processo de implantação do BIM no Núcleo de Obras e Manutenção do Senac RN foi iniciado em janeiro de 2025, com 16 participantes e foi estruturado em cinco frentes principais: diagnóstico, plano de implementação BIM, treinamentos especializados, elaboração do BIM Mandate e acompanhamento de projeto piloto. O diagnóstico, já concluído, proporcionou uma base para as demais frentes, que encontram-se em desenvolvimento contínuo e articulado. Um dos principais desdobramentos do diagnóstico foi a elaboração de um plano de capacitação teórico e técnico, totalmente personalizado para a realidade do N.O.M., priorizando a aprendizagem ativa por meio de exercícios curtos, repetitivos e progressivos, que favorecem a apropriação gradual dos conceitos e ferramentas. A metodologia visa atender os níveis de planejamento estratégico, tático e operacional, nos campos das políticas, tecnologias e processos BIM. Os treinamentos vêm ocorrendo na modalidade presencial, com suporte em plataforma online no registro digital dos conteúdos didáticos. Todos estão aprendendo ferramentas como Revit, Navisworks, Autodesk Construction Cloud, Synchro 4D pro, Orçafascio, Ms Project, Ms Planner e diversos plugins. A experiência têm se mostrado eficaz, pois vem permitindo acompanhar de perto o desempenho da equipe e ajustar o ritmo das aulas conforme as necessidades identificadas, o que é percebido como grande vantagem. O conteúdo programático foi estruturado com base em um plano de aulas que contempla os pilares de iniciação, aplicação, melhoria, repetição e aprimoramento, resultando em um programa com 22 módulos organizados em 5 blocos, cobrindo os três campos conceituais do BIM Framework: tecnologia (capacitação em softwares de modelagem e extração de dados), processo (adoção de práticas colaborativas e redesenho de fluxos internos) e política (elaboração de diretrizes, padrões e instrumentos como o BIM Mandate do Senac, em desenvolvimento). A experiência também aborda usos do BIM da Categoria I do BIM Excellence Model, como modelagem arquitetônica, estrutural e urbana, bem como, da Categoria II, envolvendo domínios como captura e representação, planejamento e projeto, simulação e quantificação, construção e fabricação, operação e manutenção, além de monitoramento e controle. A diversidade das disciplinas e fases do ciclo de vida contempladas na capacitação está diretamente alinhada ao perfil multidisciplinar da equipe do N.O.M., que atua em atividades de projeto, execução e manutenção predial. Os níveis de competência BIM vêm sendo desenvolvidos de forma progressiva e foram previamente definidos no Plano de Implementação BIM elaborado para o Núcleo de Obras e Manutenção do Senac RN. A estruturação das competências foi inspirada na Tabela de Competências da BIMe Initiative (BIMe Initiative 201in Competency Table), visando atender à diversidade de papéis e responsabilidades no setor. O plano prevê o desenvolvimento de diferentes competências distribuídas em cinco dimensões: gerencial, voltada ao planejamento estratégico e à gestão institucional da informação; administrativa, focada em procedimentos operacionais, trâmites internos e rotinas organizacionais; tático-funcional, que compreende o gerenciamento de projetos, fluxos de trabalho, práticas colaborativas e a facilitação da comunicação entre áreas; operacional, voltada à modelagem, documentação técnica, extração de quantidades, manutenção e simulação; e técnica e de implementação, que abrange a criação de padrões e templates, elaboração de manuais e guias internos, além de treinamentos especializados. A estruturação por competências tem permitido maior clareza na definição dos conteúdos e etapas do plano de capacitação, promovendo uma trilha formativa adaptada à realidade da equipe e às necessidades da organização.
Os resultados apontam para avanços significativos e multiplicáveis em contextos similares: (a) a criação de um programa híbrido de suporte, que une 440 h de aulas presenciais a uma plataforma online com vídeos, apresentações e roteiros, favorecendo a autoaprendizagem e a troca de conhecimento; (b) o avanço de maturidade BIM, do nível 0/1 ao nível 2, avaliado por indicadores colaborativos e pela redução de 30 % no tempo médio de detecção de conflitos de projeto; (c) o engajamento pleno, com percentuais próximo de 100 % de frequência nos encontros presenciais; e (d) a adoção, ainda em fase piloto, de boas práticas de projeto, fiscalização de obras e gestão de manutenção preditiva, fruto de exercícios de simulação e quantificação, ainda que em fase de andamento. Para o ensino de BIM no Brasil, esta experiência reforça a importância do diagnóstico colaborativo, da aprendizagem ativa com exercícios interdisciplinares e da progressão modular que integra estágios de modelagem, colaboração e integração, atentos às fases do ciclo de vida predial. Iniciar a capacitação sem vícios conceituais prévios e conduzi-la a partir da vivência profissional dos agentes envolvidos tem se mostrado uma experiência muito positiva. A experiência, por sua natureza gradual, colaborativa e aplicada, tem se mostrado promissora e potencialmente replicável como modelo em organizações com desafios semelhantes, especialmente aquelas que enfrentam a limitação de tempo para interromper sua rotina operacional em prol da implantação de novas metodologias.
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Citas
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