Objetos de aprendizagem BIM do Projeto Construa Brasil
desenvolvimento
DOI:
https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7865Palabras clave:
Objetos de aprendizagem, Projeto Construa Brasil, BIM, Implantação BIMResumen
Há um consenso de que a principal barreira para a adoção e implementação do BIM em escala global está na ausência de competências individuais consolidadas (Liao; Teo, 2018). Apesar da ampla disponibilidade de fontes de conhecimento oferecidas por instituições profissionais especializadas, muitos usuários de BIM demonstram incerteza sobre como adquirir esse conhecimento. No contexto brasileiro, um levantamento realizado com profissionais registrados nos conselhos de arquitetura e engenharia revela que a maioria enfrenta um percurso prolongado e incerto rumo à adoção do BIM, caracterizado por iniciativas pontuais e descontinuadas ao longo do tempo (BFB, 2024). Assim, a adoção do BIM envolve não só aspectos técnicos, mas também educacionais, demandando a criação de modelos pedagógicos adequados. Diante disso, torna-se essencial propor mecanismos de aprendizagem que respondam às necessidades de desenvolvimento de competências em BIM, considerando diferentes níveis de maturidade e contextos educacionais.
Com este contexto e demanda em mente o Projeto Construa Brasil desenvolveu dois instrumentos para apoiar a incorporação do BIM na formação superior e técnica. O primeiro instrumento foi um Plano de Implementação BIM Curricular (PIBc) que guia instituições no planejamento da transformação de matrizes curriculares (Ruschel; Kehl, 2024). Consequentemente. disciplinas são atualizadas e requerem novo material didático de suporte. Para tal, o projeto propôs e desenvolveu Objetos de Aprendizagem, em forma de recursos, digitais, aplicados no apoio à aprendizagem – podendo ser reutilizados ou referenciados em uma unidade formativa específica, ou organizados em módulos educacionais (Hodgins, 2006). Os objetos de aprendizagem estão disponível no Portal BIM Acadêmico (https://sites.google.com/antac.org.br/portalbimacademico).
Foram desenvolvidos 10 objetos de aprendizagem abrangendo múltiplos usos do BIM e competência em múltiplas de plataformas. No contexto do Projeto Construa Brasil os objetos de aprendizagem são compostos por um conjunto de módulos que demonstram um uso do BIM apoiado por duas plataforma BIM. Desta forma, o mesmo conteúdo didático é apresentado com variação de tecnologia. Cada módulo é composto por vídeo, datasets e uma descrição. A descrição do módulo apresenta o objetivo educacional do módulo, lista os conteúdos relacionados, as premissas de projeto, os datasets disponibilizados para uso e material extra para consulta. As competências BIM desenvolvidas são majoritariamente operacionais (instrumental), mas também incluem pontualmente competências BIM funcionais e gerenciais conforme Succar, Scher e Williams (2013).
A organização dos Objetos de Aprendizagem em módulos foi dirigida pelos mapas de processos dos usos do BIM envolvidos. Como o projeto piloto desenvolvido nos objetos de aprendizagem trata de um edifício residencial verticalizado - o conjunto habitacional Campinas F da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU)) - a organização dos objetos de aprendizagem que desenvolvem a competência de modelagem reflete a estratégia de modelagem da edificação verticalizada abrangendo o apartamento tipo, a torre e os elementos especiais envolvidos (circulação e distribuição), sendo replicado para cada tipo de projeto (arquitetônico, estrutural, hidrossanitário e elétrico). Já no caso de Objetos de Aprediagem que desenvolvem a competência em simulação a estruturação dos módulos segue os recursos e a lógica de simulação proporcionados pelas plataformas BIM, podendo ter impacto sobre o mapa de processo envolvido e influenciando na organização dos módulos.. Desta forma, a estruturação dos módulos pode variar dependendo da plataforma utilizada.
A maior parte dos objetos de aprendizagem iniciam com um módulo que apresenta a interface das plataformas BIM em uso. Este é o caso dos objetos de aprendizagem de modelagem arquitetônica, modelagem estrutural, modelagem elétrica, documentação, planejamento da obra e colaboração em CDE. As exceções são o objeto de aprendizagem: de modelagem hidrossanitária (em que os módulos são subsistemas); de compatibilização e orçamentação (em que o primeiro módulo é teórico); e de as-is de infraestrutura urbana em que cada módulo utiliza uma plataforma diferente, sendo assim a interface é apresentada em cada módulo separadamente.
O desenvolvimento dos objetos de aprendizagem foi realizado pelo Núcleo de Inovação BIM com a colaboração de especialistas da AltoQi, Triades e SPBIM. A sequência de desenvolvimento dos Objetos de Aprendizagem iniciou pelas modelagem arquitetônica, estrutural, hidrossanitária e elétrica, seguida da compatibilização de projetos e documentação. Da mesma forma como na prática real foi requerida a colaboração entre os profissionais envolvidos. Entretanto, observamos que a colaboração foi insuficiente e estressada em demasiado a compatibilização. Ficou claro que os mapas de processo de modelagem adotados precisam incluir a abordagem de mitigação de interferências no processo da modelagem de cada disciplinas. Finalizado o desenvolvimento destes objetos de aprendizagem, seguisse para os temas de colaboração em CDE, planejamento da construção, orçamentação e modelagem do as-is. Esta sequência foi adotada em virtude da complexidade dos temas e demandas de aprendizado da própria equipe envolvida. Esta sequência poderia ter sido mais eficiente se a orçamentação viesse antes do planejamento, para organizar a estrutura analítica de projeto eficientemente.
Este grande esforço de desenvolvimento trouxe aprendizados. O primeiro foi a demanda por diversidade em formação profissional para abranger a ampla gama de usos do BIM abordados. O segundo aprendizado é que os mapas de processos de modelagem precisam incorporar uma lógica de projetação integrada, buscando mitigar interferências entre disciplinas. O terceiro aprendizado é que a tecnologia adotada altera o mapa de processo, isto é, um mesmo uso do BIM ter mapas de processo diferentes a depender da plataforma utilizada. Estes achados podem se fazer presentes na implementação de BIM na indústria, que deve ficar atenta para resolvê-los.
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Citas
BFB, BIM Fórum Brasil. 2ª Edição da Pesquisa sobre Digitalização no Âmbito da Indústria da Construção. São Paulo: BIM Fórum Brasil, 2024, 58 p Disponível em: https://mkt.bimforum.org.br/pesquisa-gt3-2a-edicao. Acesso em: 27 jun. 2025..
HODGINS, H.Wayne. The Future of Learning Objects. Educational Technology, Vol. 46, No. 1, Special Issue on Learning Objects (January-February 2006), pp. 49-54 (6 pages). Disponível em:https://www.jstor.org/stable/44429269. Acesso em: 5 fev. 2025.
LIAO, L.; TEO, E. A. L. Organizational change perspective on people management in BIM implementation in building projects. Journal of Management in Engineering, v. 34, n. 3, 2018. DOI: 10.1061/(ASCE)ME.1943-5479.0000604. Disponível em: <https://ascelibrary.org/doi/10.1061/%28ASCE%29ME.1943-5479.0000604>. Acesso em: 8 jan. 2025.
RUSCHEL, R. C.; KEHL, C.. Curricular BIM implementation plan: protocol proposal and pilot application in Brazil. Ambiente Construído, v. 24, p. e131385, jan. 2024. https://doi.org/10.1590/s1678-86212024000100717
SUCCAR, B.; SHER, W.; WILLIAMS, A. An integrated approach to BIM competency assessment, acquisition and application. Automation in construction, v. 35, p. 174-189, 2013. https://doi.org/10.1016/j.autcon.2013.05.016. Acesso em: 5 fev. 2025.
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