O Contexto Urbano Enquanto Extensão do Morar
Conexões entre Reabilitação Psicossocial e a Experiência da Cidade
DOI:
https://doi.org/10.46421/euroelecs.v6.8036Palavras-chave:
Residência Terapêutica, Reabilitação Psicossocial, Urbanismo humanizado, Direito à CidadeResumo
As Residências Terapêuticas (RTs) foram criadas como um dos dispositivos da desinstitucionalização e (re) inserção social das pessoas com transtorno mental no contexto da Reforma Psiquiátrica Brasileira, implementada juridicamente a partir da Lei 10.216 de 2001. Considerando-se essa nova perspectiva, baseada na assistência e cuidado em liberdade, apresenta-se, como objetivo para este trabalho, analisar a relação do contexto urbano vivenciado por três (3) moradores de três (3)RTs diferentes, com seus respectivos processos de reabilitação psicossocial. O método, foi definido por meio de abordagem qualitativa, com a combinação da observação participante em conjunto com a aplicação de “entrevistas em percurso”. Os resultados indicam que, no contexto estudado, a maior oferta de atividades urbanas, principalmente vinculadas ao comércio local possibilitam mais oportunidades de trocas, materiais e afetivas, o que favorece a construção da reabilitação psicossocial desses moradores. Nesse sentido a compreensão do espaço vivido pelas pessoas, bem como o respeito e a valorização dessa escala (humana), conforme defendem Jacobs (2011) e Gehl(2013) são príncipios fundamentais e inerentes ao planejamento urbano. No campo da saúde mental, considerando-se a luta constante pela implementação da Reforma Psiquiátrica, o urbanismo humanizado se coloca enquanto estratégia necessária para a construção da Reabilitação Psicossocial.
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