Interesse dos docentes no BIM
estudos de casos na UFRJ e na UFJF
DOI:
https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7595Keywords:
BIM no ensino, Educação BIM, Capacitação Docente, Adoção BIMAbstract
O interesse na capacitação em BIM cresceu partir das ações do Programa Construa Brasil, que teve como um dos seus produtos a publicação, em 2024, do Guia para Planos de Implementação BIM curricular que corresponde a um protocolo de ações a serem consideradas pelas instituições de ensino superior e técnico que ministram cursos de Engenharia Civil e Arquitetura e Urbanismo, fornecendo uma orientação fundamental para a incorporação eficaz do BIM e suas tecnologias correlatas da Construção 4.0 nas respectivas estruturas curriculares (MDIC, 2024). O documento apresenta um passo a passo, que vai desde o diagnóstico da maturidade da instituição em relação ao BIM, passando pela análise da matriz curricular, até o lançamento do Plano na Instituição, bem como sua revisão e divulgação. Para isso, o Guia propõe a formação de Células BIM formadas por grupos organizados de professores e alunos, podendo incluir técnicos e colaboradores externos.
Porém, muito antes da existência desse Guia, as instituições de ensino interessadas no tema instituíram suas Células BIM. Conforme identificado por Succar e Kassem (2015), o processo de disseminação do BIM pode ocorrer de três formas: de cima para baixo (top-down), de baixo para cima (bottom-up) e a difusão radial (middle-out). Fantin e Salgado (2024) reconhecem essas dinâmicas na formação e atuação das Células BIM, sendo: (a) top-down - difusão descendente do BIM, quando a iniciativa parte da Direção ou o Núcleo Docente Estruturante da Instituição; (b) bottom-up - difusão ascendente do BIM, correspondente às Células cuja formação partiu da iniciativa do corpo discente da instituição; e (c) middle-out - difusão radial do BIM, que corresponde à iniciativa dos docentes que passam a adotar o BIM como uma estratégia didática no ensino dos conteúdos específicos das suas disciplinas.
Este trabalho apresenta parte dos resultados de uma pesquisa que tem o objetivo de identificar a visão dos docentes em relação às ações promovidas nos últimos três anos pelas Células BIM de duas instituições de Ensino: FAU/UFRJ e FAU/UFJF. A pesquisa foi aprovada no CEP da UFJF, via na Plataforma Brasil, CAAE nº 83666424.0.0000.5147, uma vez que envolveu coleta de dados a partir da aplicação de um questionário.
Na UFJF, a pesquisa sobre BIM se deu, inicialmente, através das investigações de iniciação científica e do treinamento profissional (Kneip; Pereira, 2022). Essas atividades deram origem à Liga Acadêmica de BIM e Novas Tecnologias (LABIM), vinculada à Faculdade de Engenharia, com a participação de alunos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharia Civil e Elétrica. No âmbito da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, a Célula BIM surgiu a partir do empenho dos coordenadores incentivados por uma mestranda e contou com a participação de técnicos e membros externos. Especificamente na FAU/UFJF existiram dois momentos-chave na disseminação do BIM: a reforma curricular de 2012 e a implantação da Célula BIM, em 2022 (Braida, 2024).
Na FAU/UFRJ, a estratégia de criação da Célula BIM foi realizada em quatro etapas: planejamento das ações, instalação da célula, detalhamento das atividades e follow-up. A iniciativa partiu de um projeto de pesquisa que contou com o apoio da FAPERJ, e reuniu um grupo de docentes, que passou a considerar a adoção do BIM como uma estratégia didática no ensino dos conteúdos específicos das suas disciplinas (Salgado, 2024). O processo ocorreu em quatro etapas: planejamento das ações; formação e instalação de laboratório; detalhamento e realização das atividades; e análise dos resultados. Entre as ações estão a realização de oficinas com os docentes, a publicação de textos, a oferta de disciplina na pós-graduação e a criação de site específico sobre o tema.
Cabe ressaltar que as ações das duas Células tiveram início muito antes da existência do guia para elaboração de planos de implementação BIM, e seguiram critérios próprios dos docentes e discentes envolvidos no processo.
Passados três anos desde o início do Programa Construa Brasil, com o objetivo de conhecer a percepção dos docentes sobre a metodologia BIM, os responsáveis pelas Células BIM da FAU/UFRJ e FAU/UFJF enviaram um questionário aos docentes. A primeira pergunta versou sobre o interesse dos docentes nos usos do BIM. Os resultados evidenciam que o conhecimento e o interesse no tema não é uma unanimidade. Observa-se que, na UFRJ, onde a célula BIM foi resultado de um projeto de pesquisa específico, o resultado foi mais positivo, se comparado com as respostas obtidas junto aos docentes da UFJF. Isso pode indicar a necessidade de uma melhor comunicação entre os participantes da Célula e os docentes da instituição de forma a disseminar as ações empreendidas BIM.
Na UFRJ, 87,5% dos respondentes conhecem ao menos um pouco o BIM, na UFJF, tem-se 66,7% de docentes nesse perfil. O pouco conhecimento sobre o BIM revelado pelos docentes da UFJF (que corresponde a 1/3 dos respondentes) indica a necessidade de incrementar as ações para facilitar o acesso à informação daqueles que tenham interesse na metodologia.
Outras perguntas, realizadas através dessa pesquisa, cujos resultados ainda estão sendo tabulados, foram: (a) quanto ao uso dos recursos computacionais por parte dos docentes no ensino dos conteúdos das suas disciplinas; (b) quanto ao interesse dos docentes em aprofundar os conhecimentos na metodologia BIM; (c) sobre o conhecimento dos docentes em relação à existência da Célula BIM de sua instituição; e (d) a indicação por parte dos docentes respondentes de sugestões para aprimorar o trabalho da Célula BIM. Esses resultados trarão indicadores importantes sobre a ação das Células instaladas, apontando para alternativas a serem consideradas nas ações futuras.
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References
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