Projeto de extensão universitária

aquisição de competências BIM no atendimento ao público

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7598

Palavras-chave:

Extensão, Colaboração, Obras Públicas

Resumo

Conforme as exigências da resolução CNE/CES - 7/2018, que estabelece diretrizes para a curricularização da extensão na educação superior brasileira, o curso de arquitetura e urbanismo do Centro Universitário Livre do Brasil (Unibrasil) estabeleceu um conjunto de 5 disciplinas, anuais no segundo semestre, chamadas PROEX. No ano de 2024, os estudantes do 4º período do curso de Arquitetura e Urbanismo cursaram PROEX II, com foco na aplicação prática dos conhecimentos e habilidades BIM adquiridos até este momento da formação. A demanda apresentada pela comunidade externa era  a modelagem BIM (Building Information Modeling) do projeto de um edifício anexo à Polícia Científica do Paraná (PCPR). Solicitado pelo setor de Engenharia e Obras dessa instituição, a necessidade era revisar e apontar lacunas de uma proposta projetual elaborada originalmente em 2012, utilizando a metodologia BIM como ferramenta de análise e apoio para uma futura licitação.

No contexto da aprendizagem, o exercício foi estruturado para testar as habilidades tecnológicas dos alunos para consolidação do uso do Autodesk Revit, estimular as habilidades e atitudes na colaboração e formar gestores para processos BIM. Além disso atividade proposta proporcionou aos alunos uma vivência próxima à realidade profissional, ao atuarem diretamente com um cliente real e necessidades específicas, absorvendo a pressão de prazos e qualidade de entrega. Essa troca se desenvolveu de modo ativo, desde o início do semestre, em reuniões com representantes do setor de engenharia da PCPR. Esses encontros iniciais tiveram como finalidade o levantamento de dados, esclarecimento de dúvidas e alinhamento de expectativas quanto ao escopo do projeto. Com isso, o trabalho se dividiu em 3 etapas: Modelagem Individual, Modelagem Colaborativa intra grupo, Modelagem Colaborativa intra classe.

Portanto, a primeira etapa do trabalho consistiu na modelagem individual da edificação em LOD 100, que representa o nível mais básico de detalhamento. Esse momento foi essencial para que cada estudante tivesse contato direto com o projeto, desenvolvesse sua própria compreensão da estrutura proposta e começasse a aplicar seus conhecimentos em ferramentas digitais, como o Autodesk Revit. O único material de referência fornecido foi o conjunto de plantas arquitetônicas, o que desafiou os alunos a interpretarem e reconstruírem o edifício a partir de documentação limitada, gerando um vasto conjunto de dúvidas. Esta etapa também funcionou como diagnóstico inicial das habilidades individuais, permitindo identificar o nível de domínio técnico e engajamento de cada aluno, além de evidenciar disparidades na familiaridade com a modelagem BIM. Posteriormente, houve uma segunda rodada de reuniões com a equipe da PCPR, desta vez com o intuito de preencher lacunas identificadas na documentação anterior e esclarecer dúvidas mais técnicas sobre a edificação.

A partir das informações complementares, os alunos foram reorganizados em grupos menores, cada qual liderado por um gestor BIM, para início da segunda etapa. A função desses gestores era coordenar a produção de modelos em LOD 200, mais detalhados e com foco na verificação do cumprimento das normas técnicas e legislações vigentes. Cada grupo ficou responsável por modelar e avaliar dois pavimentos da edificação, utilizando os conhecimentos adquiridos em sala de aula sobre padronizações construtivas, regulamentações e acessibilidade. Essa segunda fase foi marcada por um aprofundamento nas habilidades de trabalho em equipe, gestão de projetos e cooperação, elementos fundamentais em ambientes colaborativos BIM. Os alunos também foram desafiados a desenvolver senso crítico ao analisarem os aspectos normativos da proposta original, que datava de mais de uma década atrás, sendo necessário um olhar atento para as atualizações ocorridas nas legislações e diretrizes construtivas.

Com base nas análises desenvolvidas nos grupos, a turma organizou as informações técnicas em uma síntese geral. A partir disso, a turma como um todo passou à etapa final do projeto: a produção colaborativa de um único modelo em LOD 300, o qual consolidava todas as informações levantadas, corrigidas e atualizadas durante o processo. Esse modelo final buscou representar a demanda concreta apresentada pela PCPR no inicio do semestre, sendo entregue acompanhado de um relatório técnico apontando todas as inconformidades identificadas na proposta original. Durante essa entrega o modelo e o relatório foram formalmente apresentados à PCPR como sugestão de base técnica para a futura reformulação e licitação da obra.

Como lições aprendidas se pode destacar a prática reiterada da modelagem em diferentes níveis (LOD 100, 200 e 300) pois proporcionou domínio sobre as ferramentas digitais e familiaridade com os fluxos de trabalho do BIM. O primeiro ciclo individual promoveu o desenvolvimento técnico e a autonomia de cada estudante, permitindo acompanhar e  avaliar a disposição para o desafio e o grau de habilidade com o software. O segundo ciclo, em grupos pequenos, trouxe como foco a internalização dos conceitos de normatização, os desafios da compatibilização e o papel da colaboração em um ambiente simulado de escritório. Já a última etapa, que envolveu a entrega coletiva do modelo final, exigiu dos alunos habilidades de autorregulação, planejamento, organização, comunicação assertiva e senso de responsabilidade com a qualidade do produto entregue.

Para a comunidade atendida, a facilitação para os procedimentos de licitação de atualização do projeto e futura execução ficou evidente. Além disso, a vivencia de um processo de trabalho em BIM apontou para lacunas de formação e necessidade de atualização do departamento de Obras e Engenharia da PCPR. Para os alunos, a vivência com um cliente real, a complexidade do projeto, a necessidade de revisões constantes e o foco na entrega final colaborativa transformaram o exercício em uma experiência completa de simulação profissional. Os aprendizados vão além de conhecimentos e habilidades, envolvendo atitudes necessárias para a colaboração em BIM como empatia, escuta ativa, adaptação e responsabilidade social, uma vez que o projeto atendia a uma instituição pública e, por consequência, à comunidade Paranaense.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Renan Dinis Pergher, Centro Universitário Autônomo do Brasil

Mestrado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná. Professor do Centro Universitário Autônomo do Brasil (Curitiba - PR, Brasil)

Referências

BRASIL. Resolução CNE/CES nº 7, de 18 de dezembro de 2018. Brasília: Conselho Nacional de Educação, 2018.

Downloads

Publicado

2025-08-18

Como Citar

PERGHER, Renan Dinis. Projeto de extensão universitária: aquisição de competências BIM no atendimento ao público. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE O ENSINO DE BIM, 6., 2025. Anais [...]. Porto Alegre: ANTAC, 2025. DOI: 10.46421/enebim.v6i00.7598. Disponível em: https://eventos.antac.org.br/index.php/enebim/article/view/7598. Acesso em: 4 maio. 2026.

Edição

Seção

Experiência de ensino-aprendizagem BIM realizadas