Projeto de extensão
restauração do casarão da travessa Ratcliff
DOI:
https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7609Palavras-chave:
Patrimônio, Restauro, Modelagem da Informação da Construção, ExtensãoResumo
Essa experiência didática envolve um projeto de extensão em desenvolvimento na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), coordenado pelo Departamento de Arquitetura e Urbanismo. Trata-se de um projeto de restauração de imóvel de interesse histórico-cultural situado na Rua João Pinto esquina com a Travessa Ratcliff, no núcleo fundacional de Florianópolis. A edificação é do final do século XIX, protegida pelo município na década de 1980, em entorno de proteção federal. O imóvel foi cedido à UFSC no início da década de 1960 e, atualmente, está sob a administração da Pró-Reitoria de Extensão (PROEX). Essa edificação abriga o Instituto Arco-Íris de Direitos Humanos, que desenvolve projetos de assistência social para grupos vulneráveis da cidade, desde a década de 1990. Devido à sua idade e tipo de sistema construtivo, o edifício demanda uma restauração para que possa acolher com comodidade e segurança tanto o programa existente do Instituto Arco-Íris, quanto novas atividades compatíveis com o espaço. Assim, a reitoria da Universidade procurou professores e estudantes do Departamento de Arquitetura e Urbanismo para desenvolvimento de dois produtos: o estudo preliminar e o projeto executivo. Esse trabalho tem como objetivo apresentar a experiência didática envolvendo o Projeto de Restauração dessa edificação no núcleo fundacional de Florianópolis, e a adoção de tecnologias digitais no processo de projeto. O projeto de restauração está sendo conduzido por seis professores do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, sendo dois docentes bolsistas, e quatro estudantes vinculados ao Ateliê Modelo de Arquitetura (AMA), sendo duas bolsistas, com apoio de três consultores externos vinculados ao Instituto do Patrimônio Histórico da Superintendência de Santa Catarina (IPHAN-SC). Para delimitação dos princípios gerais, organização do programa e das demandas de adaptação dos espaços, há ainda o auxílio organizacional por parte do Gabinete da Reitoria, da PROEX e da Secretaria de Cultura e Arte (SECARTE), como outros interlocutores que fomentaram o projeto.
A metodologia adotada para o projeto compreendeu inicialmente os levantamentos e diagnósticos, desenvolvidos no próprio imóvel pelo grupo responsável pelo projeto, bem como as reuniões de desenvolvimento do processo criativo de lançamento do estudo preliminar e suas etapas posteriores de detalhamento do projeto executivo. O projeto teve início em novembro de 2024, com reuniões periódicas para organização e estudos teóricos do patrimônio, que ocorreram na sede do AMA na UFSC. Para a primeira fase, foram realizadas visitas periódicas ao edifício durante os meses de janeiro e fevereiro de 2025, com o intuito de fotografar os ambientes, realizar medições in loco e a representação gráfica do mapa de danos. Nesta fase, durante o mês de janeiro, foi realizado um levantamento fotográfico com o apoio de um drone DJI Mavic Air, que possibilitou o entendimento da cobertura do edifício, uma vez que não é possível acessar este local por questões de segurança. Em fevereiro, algumas simulações foram realizadas com as imagens obtidas do drone, inserindo-as nos softwares Metashape e Autodesk Recap para teste. Além disso, também foi realizada a geração de uma nuvem simplificada do forro da sala principal usando o aplicativo Polycam no celular (mostrando as vigas principais, os barrotes e outros detalhes em madeira). Quanto ao método de ensino-aprendizagem empregado, destaca-se a Aprendizagem Baseada em Projetos, partindo de uma necessidade real da comunidade.
O primeiro resultado obtido foi o mapa de danos, que reuniu todas as patologias da edificação em plantas e elevações desenhadas em formato CAD e identificadas por legendas. Na sequência, com os demais dados coletados, iniciou-se o processo de estudo preliminar e nesta etapa foi elaborada a modelagem BIM do edifício no software Graphisoft ArchiCAD. A nuvem de pontos não pôde ser gerada adequadamente no Autodesk Recap a partir das fotos obtidas do drone, provavelmente pela ausência de fotografias adequadas e suficientes para esse processamento, desta forma, não foi utilizada uma nuvem de pontos como base da modelagem, embora as fotografias tenham sido consultadas para tal. Uma estimativa de custos preliminar foi feita para essa etapa, usando inicialmente o software Excel. Após a validação das ideias preliminares junto à reitoria e demais instâncias institucionais, bem como junto ao Instituto Arco-Íris, iniciou-se o processo de projeto de restauro executivo, no qual pretende-se utilizar o software QiVisus para o orçamento executivo. Esse trabalho tem abordagem teórico-prática e abrange as etapas de estudo de viabilidade, concepção, projeto e orçamento. Abrange os estágios de modelagem e colaboração do esquema conceitual do BIM segundo o BIM Framework, sendo enquadrado no campo tecnologias para modelagem pelo uso dos softwares BIM e fotogrametria na representação gráfica do projeto e nas tecnologias para colaboração, pelo uso do QiVisus para o orçamento; no campo processos enquadra-se na modelagem, por meio das trocas de modelo entre o projeto e o orçamento; e no campo políticas pelo uso de padronização de nomenclaturas no modelo para adoção no orçamento, atendendo aos critérios para a etapa de quantitativos. Quanto aos usos do BIM, para a categoria I (geral) do BIM Excelence, enquadra-se na modelagem arquitetônica e na modelagem de restauração/renovação, enquanto na categoria II (domínios específicos) do BIM Excelence, são abordados: a) a Captura e Representação (documentação 2D e 3D, fotogrametria, as-built); b) o Planejamento e projeto (projeto de restauro) e c) Simulação e quantificação (estimativa de custos, quantitativos do modelo e orçamento). Como resultados, espera-se o desenvolvimento do projeto de restauração em nível executivo para posterior licitação e execução da obra, a ser finalizado até agosto de 2025. O uso de tecnologias digitais contribuiu para que o projeto pudesse ser realizado no período solicitado pela reitoria, dando agilidade no levantamento de informações in loco pelo uso de drones, pela modelagem as built do edifício e pela automatização no processo de orçamento. Como dificuldades, pode-se elencar a compra dos softwares para processamento das imagens do drone e o software de orçamento, pois ambos não são gratuitos para a academia. A experiência fomentou o desenvolvimento de competências individuais, teóricas e práticas. Espera-se também que o processo de elaboração deste projeto possa ser um catalizador para o desenvolvimento de atividades compartilhadas de ensino, pesquisa e extensão, integrados à comunidade externa a UFSC.
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