Planejamento estratégico de curso
inserção BIM na graduação
DOI:
https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7622Palavras-chave:
Análise curricular, infraestrutura Tecnológica, Competência DocenteResumo
Em decorrência do processo de recredenciamento como centro universitário, o Centro Universitário Autônomo do Brasil - UniBrasil demandou de todos os cursos de graduação a atualização de seus planos estratégicos para o período de 2025 a 2029. Nestes planos foram estabelecidas metas para gestão e expansão da infraestrutura, revisão e adequação curricular as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), inserção do egresso mercado de trabalho local e regional, contratação e ampliação do corpo docente. Durante as discussões de colegiado de curso para elaboração do plano, muito se levantou sobre os impactos do BIM dentro deste planejamento de 5 anos. Assim, indo além dessa exigência institucional, se decidiu aproveitar a oportunidade para realizar um diagnóstico aprofundado da situação atual do curso e propor um cenário desejável de futuro, com foco na implementação do BIM (Building Information Modeling) na formação dos estudantes.
O diagnóstico envolveu a análise detalhada de diversos aspectos, como a infraestrutura disponível, a qualificação do corpo docente, a estrutura curricular vigente e o conteúdo das disciplinas. Foram incorporadas ferramentas descritas por Barison e Santos (2015) e Boton, Forgues e Halin (2018) a fim de entender quais seriam as principais barreiras para implementação BIM no currículo e quais conhecimentos BIM seriam necessários de adquirir para ensinar com BIM, respectivamente. Associado a isto, se construiu uma interpretação do nível de maturidade BIM no curso usando de Succar, Sher e Williams (2012), presente nas ementas, planos de ensino e práticas cotidianas. Todo esse conjunto foi organizado em eixos ligados a infraestrutura tecnológica, ao quadro docente e a estrutura curricular.
As evidencias demonstraram um nível de maturidade inicial, onde há uma prática na modelagem da informação da construção, mas com adesão facultativa dos alunos. As condições aferidas que estabeleciam este cenário atual eram, no eixo da infraestrutura uma precariedade na oferta de computadores e salas de aula para o projeto computacional. Apenas 2 laboratórios de informática ficam a disposição, sendo um desatualizado para funções mínimas de tecnologias BIM e outro com capacidade de uso, mas baixo processamento gráfico e de dados. Quanto ao quadro docente se percebeu que apenas 2 dos 7 docentes do curso possuíam competências BIM para incorporação no processo de ensino-aprendizagem. Já na estrutura curricular a existência de uma disciplina no 1º Período voltada à aquisição de competências tecnológicas e habilidades no uso do Autodesk Autocad, e outra no 3º Período voltada a aquisição de competências BIM e habilidades no uso do Autodesk Revit eram os únicos componentes em matriz. Porem, nos planos de ensino haviam práticas em Projetos de Extensão, no 4º Período, e no Projeto de Arquitetura do 5º Período que reforçavam a presença da Modelagem da Informação no curso.
A partir desse conjunto de dados e análises, foi elaborado um plano estratégico que contempla ações integradas para aquisição de equipamentos, capacitação de professores, reformulação curricular e ajustes nos planos de ensino, com o objetivo de incorporar efetivamente o BIM à formação acadêmica dos alunos.
O primeiro desafio foi o planejamento de treinamento docente. A proposta é promover capacitações voltadas não apenas ao uso operacional de softwares, mas também ao desenvolvimento de competências gerenciais e colaborativas, essenciais à aplicação eficaz do BIM no contexto do ensino e da avaliação de projetos arquitetônicos. Para infraestrutura tecnológica o plano estratégico prevê a modernização dos laboratórios existentes, a criação de um novo laboratório de alta capacidade gráfica e a implementação de duas salas com layout colaborativo, adequadas à dinâmica de trabalho proposta pela metodologia BIM, que valoriza a integração entre as diferentes áreas do conhecimento envolvidas nos projetos de arquitetura e construção. No campo curricular, a proposição uma reforma curricular mais ampla, com o objetivo de integrar progressivamente o ensino da modelagem da informação a todas as disciplinas do eixo tecnológico do curso. Dessa forma, os conteúdos relacionados ao BIM passarão a ser abordados de maneira transversal, articulando teoria e prática, e conectando-se diretamente às atividades desenvolvidas nas disciplinas de projeto de arquitetura.
Dividido em metas anuais progressivas elas ficaram dividias em: 1º Ano com atualização do laboratório de informática defasado, treinamento de Revit Introdutório para todo o corpo Docente e elaboração da nova matriz curricular. No 2º Ano deverá constar no orçamento institucional a execução de um ateliê de práticas colaborativas, a aplicação de um roteiro de estudos focais para os docentes, a oferta de um curso de extensão de reforço em Revit introdutório para os alunos e a consolidação da curricularização BIM até o 4º Período. No 3º Ano a ampliação da infraestrutura tecnológica será feita com a entrega de um 2º ateliê de práticas colaborativas e o laboratório de computação avançada, os docentes facultativamente farão uma formação para gestão BIM, será ofertado um curso de extensão em Revit intermediário para os alunos, a curricularização do BIM até o 6º Período e a incorporação de práticas de aprendizado colaborativo com o curso de Engenharia Civil. No 4º Ano fica prevista a atualização do laboratório de computação gráfica, a formação de docentes operadores BIM, a criação de um grupo de estudos em práticas avançadas, a curricularização do BIM até o 8º Período e uma atividade de aprendizado colaborativo em rede com as instituições de ensino superior coligadas (Centro Universitário UGV e Centro Universitário Campo Real) nos curso de Arquitetura e Urbanismo. O ultimo ano conta com a atualização do laboratório de informática básica, a certificação dos docentes em BIM e revisão do plano de implementação.
Em síntese, o plano estratégico elaborado pelo curso de Arquitetura e Urbanismo do UniBrasil para o período de 2025 a 2029 apresenta uma abordagem abrangente e estruturada para a implementação do BIM na graduação. Com ações articuladas nas áreas de capacitação docente, modernização da infraestrutura, revisão curricular e fortalecimento da cultura digital, o plano busca não apenas cumprir as exigências institucionais do recredenciamento, mas também posicionar o curso na vanguarda do ensino de arquitetura no Brasil, alinhando-se às melhores práticas internacionais e às demandas emergentes do setor da construção.
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Referências
BARISON, M. B.; SANTOS, E. T. Percepções de professores quanto à introdução do BIM no currículo. VII Encontro de Tecnologia de Informação e Comunicação na Construção - Edificações, Infra-estrutura e Cidade: Do BIM ao CIM, 2015.
BOTON, C; FORGUES, D.; HALIN, G. A framework for building information modeling implementation in engineering education. Can. J. Civ. Eng. 45: 866–877, 2018.
SUCCAR, B.; SHER, W.; WILLIAMS, A. Measuring BIM performance: five metrics. Arquitectural Engineering and Design Management, v. 8, n. 2, p. 120–142, 2012.
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