Do papel ao mundo digital
contribuições do ensino do BIM em Arquitetura e Engenharia
DOI:
https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7712Keywords:
Representação Gráfica, BIM no ensino superior, CAD no ensino superior, Metodologia de Ensino, Aprendizagem ativaAbstract
O trabalho apresenta a experiência didática da disciplina ETC-109 Representação do Espaço: do papel ao mundo digital (80h, anual), aplicada aos alunos calouros do curso de Arquitetura e Urbanismo e alunos do segundo ano do curso de Engenharia Civil do Instituto Mauá de Tecnologia (São Caetano do Sul). O mesmo objeto (Villa Savoye, de Le Corbusier) deve ser representado em três técnicas distintas (Instrumental, CAD e BIM), de modo comparativo e evolutivo. Nesse processo, destaca-se a frequente associação de métodos e o contínuo entendimento da geometria como suporte para a representação do mundo físico. Ao mesmo tempo, desenvolve-se a leitura dos elementos arquitetônicos e de suas funções.
Trata-se de uma disciplina obrigatória, presencial e prática, ministrada em laboratório com mesa com réguas paralelas e computadores com duas telas. No semestre de 2025/1, cerca de 60 alunos participaram da disciplina. Os alunos devem fazer a produção do trabalho individualmente e durante todas as aulas, com acompanhamento frequente através de entregas parciais.
Durante o primeiro bimestre (Etapa 1), são apresentadas normas de desenho e, em seguida, os alunos realizam alguns exercícios introdutórios na prancheta (linhas horizontais e verticais, hachuras, caligrafia), utilizando instrumentos (régua paralela, esquadros, compasso) a fim de desenvolverem a habilidade a mão. Após isso, partem para o desenho de plantas e cortes da Villa Savoye, em folha formato A3 – reproduzindo-os a partir de desenhos já existentes. Neste momento, são evidenciados importantes conceitos, como o de peso gráfico (espessuras) e a diferença entre representações do objeto e anotações. Destaca-se ainda a sequência de desenho: dos eixos aos elementos construtivos - estrutura, alvenarias, abertura de vãos, portas e janelas – e elementos de anotação.
No segundo bimestre (Etapa 2), os alunos passam a desenhar com o AutoCAD, utilizando a mesma sequência. Neste processo, são destacados conceitos importantes como a precisão em coordenadas cartesianas, assim como os principais comandos de visualização, desenho e modificação, texto e demais comandos de anotação, blocos, comandos para montagem de folhas (espaço do modelo e espaço do papel) e configuração de penas e impressão.
Nos dois processos, a mesma sequência de ações serve para frisar questões ligadas à geometria do objeto e seu processo criativo (concepção espacial), assim como a simulação da execução dos elementos construtivos (concepção estrutural). Nesse percurso, entendemos como essencial a frequente comparação entre os métodos, destacando na sua evolução, inter-relações visíveis, vantagens e dificuldades específicas de cada fase.
Nos bimestres seguintes (Etapa 3), os alunos partem para a modelagem do projeto utilizando o software Revit, realizando todo o modelo. A partir de um entendimento inicial da mudança de paradigma (do CAD ao BIM) e através de um template, os alunos devem então carregar as bases do AutoCAD para iniciar o modelo, configurando níveis e iniciando, como nas etapas anteriores, a partir da definição dos eixos e elementos estruturais. Seguem com a modelagem dos elementos construtivos - alvenarias, pisos, portas e janelas -, até chegar às anotações e montagem das pranchas.
No enquadramento da disciplina no BIM Framework, destacam-se:
- Domínios do BIM
Domínio do BIM Framework
Conexão com a Disciplina
Tecnologia
Uso de AutoCAD e Revit como ferramentas digitais de representação técnica e modelagem
Processo
Desenvolvimento de peças gráficas de projeto de arquitetura em nível básico
Política
Introdução às normas e convenções técnicas
- Estágios de Maturidade BIM
Estágio
Relação com a Disciplina
Pré-BIM
Desenvolvimento gráfico analógico e AutoCAD 2D
Estágio 1 - Modelagem
Modelagem 3D no Revit, com elementos paramétricos
Estágio 2 - Colaboração
Introdução ao conceito colaborativo de representação coordenada entre disciplinas
- Capacidade BIM
Capacidade
Conexão com a Disciplina
Modelagem 3D
Uso de Revit para representação tridimensional de edifícios, com objetos paramétricos
Documentação Técnica
Produção de plantas, cortes, elevações e detalhes automaticamente a partir do modelo
Interoperabilidade Básica
Exportação/importação de arquivos DWG, uso de bibliotecas e padrões de projeto
No enquadramento da modelagem nos conceitos do BIM Excellence1, destacam-se:
Aspecto
Detalhe
Tipo de modelagem
Modelagem paramétrica 3D de elementos arquitetônicos e estruturais
Objetivo
Representar com precisão as características físicas e funcionais da casa
Usos BIM aplicados
Modelagem de componentes, documentação técnica, coordenação entre disciplinas
Nível de detalhamento (LOD)
Pode variar do LOD 100 (conceitual) ao LOD 400 (detalhamento) conforme o estágio do projeto
Resultados esperados
Modelo digital útil para análise, orçamentação e planejamento
Sendo utilizados na Categoria I:
Código BIM Excellence
Uso Geral
Relação com modelagem
1010
Modelagem Arquitetônica
Modelagem das paredes, portas, janelas, cobertura
1030
Modelagem Estrutural
Modelagem de pilares, vigas e lajes
E utilizados na Categoria II:
Código BIM Excellence
Uso de Gestão da Informação
Aplicação na modelagem
2010
Captura e Representação
Gerar documentos em 2D
2020
Captura e Representação
Fazer detalhamento em 3D
Dentre as competências desenvolvidas de acordo com o BIMe Initiative, destacam-se aquelas de uso operacional:
Código
Tema de competência
O01
Modelagem geral
O02
Captura e representação
O03
Planejamento e Projeto
O04
Simulação e Quantificação
Durante o início da disciplina (Etapa 1), percebemos uma dificuldade, por parte dos alunos, do entendimento da representação abstrata de algo físico, e a visualização do objeto em partes (plantas e cortes). Para compensar esta dificuldade, provavelmente advinda da falta de conceitos de geometria descritiva, utilizamos sempre como referência modelos físicos (maquetes) ou os próprios elementos construtivos da sala de aula. Na utilização da metodologia CAD (Etapa 2), percebemos a importância do resgate dos conceitos do mundo concreto para o entendimento de novas simbologias – como uso das cores como traço, ou a “ausência” de escala no model space – que agora surgem. O modelo paramétrico (Etapa 3), por sua vez, apresenta como grande vantagem a compreensão do conjunto do objeto, já que há uma percepção direta da presença dos elementos construtivos e do objeto como totalidade, os demais elementos (plantas, cortes e elevações) derivando desta síntese. A facilidade de montagem de folhas e ajuste de escala é um outro destaque positivo. Apesar disso, entendemos como fundamental reconhecer a importância do entendimento analítico e da lógica de conceitos, como escala, peso gráfico e anotação, visivelmente percebidos nos métodos tradicionais anteriores.
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References
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