BIM no ensino de instalações hidrossanitárias
DOI:
https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7829Palabras clave:
BIM, Sistemas prediais hidrossanitários, Adoção BIM, Compatibilização de projetosResumen
A incorporação da Modelagem da Informação da Construção (BIM) no ensino de Arquitetura e Urbanismo tem sido reconhecida como uma estratégia essencial para alinhar a formação acadêmica às transformações em curso na indústria da construção civil. No entanto, sua efetiva integração ao currículo ainda enfrenta desafios, especialmente em disciplinas técnicas tradicionalmente compartimentadas e desvinculadas da prática projetual digital. A disciplina Instalações Prediais Hidrossanitárias, oferecida na Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (FAUFBA), historicamente se enquadra nesse contexto. No semestre 2024.2, uma das turmas da disciplina, composta por nove estudantes, foi cenário de uma experiência didática promovida em parceria com o projeto de pesquisa Célula BIM. O objetivo da iniciativa foi aproximar o ensino técnico das práticas contemporâneas de projeto, permitindo que os discentes compreendessem os fundamentos das instalações hidrossanitárias e, simultaneamente, desenvolvessem competências em modelagem BIM com foco na integração entre sistemas prediais e arquitetura.
A proposta pedagógica foi estruturada em duas etapas práticas, articuladas a aulas expositivas voltadas à fundamentação técnica e normativa dos sistemas de água fria, esgoto sanitário, águas pluviais, além de tópicos introdutórios sobre água quente e prevenção contra incêndio. Na primeira etapa, os estudantes modelaram os sistemas de água fria e de drenagem pluvial em uma residência térrea de 42 m². Essa atividade foi desenvolvida ao longo de três aulas, totalizando 12 horas, no laboratório de informática da universidade. A segunda etapa, realizada no último mês de aulas da disciplina, envolveu um exercício mais complexo e aprofundado, com foco na elaboração de um projeto completo para uma residência unifamiliar de dois pavimentos, com aproximadamente 120 m² no pavimento térreo (contendo área social, cozinha, escritório e sanitário) e 140 m² no pavimento superior (composto de três suítes), além de um anexo de serviço com 26 m² (com sanitário, quarto e depósito). Para ambas as etapas, foi utilizado um template desenvolvido no âmbito do projeto Célula BIM por um bolsista de iniciação científica, com foco específico em sistemas prediais e adaptado para fins didáticos. O template continha famílias paramétricas e configurações predefinidas que promoveram consistência e agilidade na modelagem e na extração da documentação do projeto. O bolsista atuou também como monitor da disciplina, assumindo papel central no apoio técnico aos colegas e na mediação entre o conteúdo técnico e sua aplicação prática. Os estudantes trabalharam sobre modelos arquitetônicos e de estruturas, desenvolvendo a modelagem dos sistemas hidrossanitários diretamente no ambiente BIM, consolidando competências operacionais (O01 – modelagem; O03 – projeto e planejamento) e habilidades individuais básicas, conforme as diretrizes do BIM Excellence (2021).
Os resultados obtidos com a experiência foram significativos, tanto em termos de aprendizagem quanto no fortalecimento de uma metodologia que pode ser replicada em outras disciplinas do curso. Os estudantes demonstraram elevado engajamento com o conteúdo técnico ao perceberem sua aplicação direta em um ambiente de projeto digital, com destaque para a melhor compreensão das relações funcionais e espaciais entre os componentes do sistema hidrossanitário. A modelagem tridimensional ampliou a compreensão dos alunos sobre o projeto e o desenvolvimento do trabalho, integrando efetivamente as três disciplinas envolvidas no processo projetual: arquitetura, estrutura e sistemas hidrossanitários. A visualização espacial proporcionada pelo ambiente BIM contribuiu para que os estudantes identificassem a lógica de distribuição dos sistemas e suas interfaces com o projeto arquitetônico. A utilização do template foi considerada um diferencial positivo, por facilitar a estruturação do trabalho e reduzir barreiras técnicas relacionadas ao uso da ferramenta. No entanto, observou-se que, mesmo entre os alunos com domínio prévio do Revit, a exploração adequada do template exigiu um roteiro bem definido de instruções. Muitos estudantes demonstraram dificuldade em compreender as lógicas embutidas nas famílias paramétricas e nos sistemas de filtros e subcategorias, o que evidenciou a necessidade de materiais complementares e tutoriais mais detalhados. A atuação do monitor-bolsista foi apontada como um dos principais fatores de sucesso, pela sua capacidade de oferecer suporte contínuo e por representar um agente de conexão entre a pesquisa e o ensino. Sua presença favoreceu a resolução imediata de dúvidas técnicas, o aprofundamento no uso do template e o engajamento dos estudantes na superação dos desafios. Como contribuição para o avanço do ensino de BIM no Brasil, esta experiência evidencia o potencial de iniciativas institucionais como o Célula BIM na produção de conteúdos aplicáveis à realidade das universidades públicas, na qualificação da formação discente e no fortalecimento da cultura de colaboração e inovação pedagógica. Além disso, demonstra que é possível integrar disciplinas técnicas ao ensino de BIM sem a necessidade de grandes alterações curriculares, desde que haja planejamento, materiais adequados e suporte pedagógico alinhado aos objetivos formativos da formação em Arquitetura e Urbanismo. Como desafios a serem superados, ainda é possível citar a necessidade de infraestrutura institucional, com laboratórios equipados e atualizados com os programas necessários, bem como a superação da resistência de parte do corpo docente à adoção de novas metodologias digitais. A apropriação de ferramentas como o BIM exige um processo formativo também voltado aos professores, para que possam inovar com segurança e consistência nas propostas didáticas. Nesse sentido, o acompanhamento contínuo, a produção de materiais de apoio e o incentivo à formação docente em tecnologias digitais aplicadas tornam-se estratégias essenciais para consolidar a presença do BIM no ensino das disciplinas técnicas da arquitetura.
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BIM Excellence. 201in Competency Table doc. Disponível em: https://bimexcellence.org/files/201in-Competency-Table.pdf. Acesso em: 21 abr. 2024
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