Objetos de aprendizagem BIM do Projeto Construa Brasil

avaliação

Autores

DOI:

https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7860

Palavras-chave:

BIM, Objeto de Apredizagem, Projeto Construa Brasil, Pesquisa ação

Resumo

O Projeto Construa Brasil (PCB) foi idealizado pelo Governo Federal com o objetivo de melhorar o ambiente de negócio do setor da construção, incentivando a transformação digital através do estabelecimento de metas, relacionadas a três pilares: Desburocratização, Digitalização e Industrialização (Brasil, 2022). O pilar da digitalização trata da difusão do BIM no Brasil, relacionada diretamente aos desdobramentos da Estratégia BIM BR. No PCB foram criadas Células BIM em duas universidades públicas federais visando a atualização curricular seguindo um Plano de Implementação BIM Curricular (PIBc). O PIBc orienta a elaboração de Objetos de Aprendizagem (OA) como parte do processo de suporte didático à disciplinas, servindo de insumos para a execução de planos de ensino. OAs) são recursos, digitais ou não, aplicados no apoio à aprendizagem – podendo ser reutilizados ou referenciados em uma unidade formativa específica, ou organizados em módulos educacionais (Hodgins, 2006). De forma mais aprofundada, são elementos fundamentais de um novo modelo conceitual para criação e distribuição de conteúdo que permitem a montagem de unidades de aprendizagem reutilizáveis, modulares e interoperáveis com o objetivo de aumentar a eficácia do aprendizado e da performance humana (Hodgins, 2006). No presente trabalho, os OAs consistem em arquivos digitais com intencionalidade pedagógica, acompanhado por informações contextuais que orientam seu uso em ambientes instrucionais (Sosteric; Hesemeier, 2002)

A aValiação foi realizada por meio de uma Pesquisa Ação envolvendo 2 ciclos por OA: (i) de familiarização e experimentação do OA e opinião sobre o mesmo e  (ii) de avaliação da aplicação do OA no ensino. No primeiro ciclo, os professores e alunos envolvidos foram apresentados ao OA e orientados a utilizar cada plataforma respondendo a um questionário de avaliação. No segundo ciclo foi solicitado que respondessem ao um questionário: sobre a aplicação do OA no ensino. Os dois ciclos foram repetidos para os 10 objetos de aprendizagem. A avaliações ocorreu de março a dezembro de 2024. A participação nas avaliações (respostas aos questionários) foi anônima, não havendo possibilidade de identificação de participantes desde o momento da coleta de dados até a análise dos dados. Os dados coletados foram analisados estatisticamente e qualitativamente. Desta forma a pesquisa não precisou de registro nem avaliação pelo sistema CEP/CONEP por ser uma pesquisa de opinião pública com participantes não identificados, segundo a Resolução CNE nº510 de 07 de abril de 2016 e o Ofício Circular nº 17/2022/CONEP/SECNS/MS de 05 de julho de 2022.

Observou-se que a maioria dos professores e alunos assistiram integralmente aos OAs.. A grande maioria dos envolvidos não tinham nenhum conhecimento ou conhecimento básico antes de utilizar os OAs, com alto desvio padrão indicando uma diversidade de conhecimentos iniciais. Podemos concluir que assistir integralmente aos OAs, equivalente a um processo de aprendizado passivo,  promoveu um ganho de conhecimento entre básico e intermediário. Esta análise nos faz crer que se o OA for utilizado com a prática associada ele pode conduzir ao conhecimento intermediário ou avançado, a depender da exercitação ou prática associada do envolvido.

A análise de Forças, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças indicou que as maiores forças dos OAs são apresentar um processo facilitado, a estruturação ou organização de seu conteúdo, o suporte ao desenvolvimento de projeto extraclasse, a didática adotada pelas instrutoras e o suporte à teoria associada. As principais oportunidades observadas foram promover o entendimento da prática, a integração de conteúdos, propiciar um ponto de partida para novos materiais didáticos, permitir o contato com a digitalização e a colocação no mercado. As principais fraquezas apontadas nos OAs foram a quantidade excessiva de informação, necessidade de conhecimento do processo associado e a não gratuidade de algumas das plataformas BIM utilizadas. As principais ameaças aos OAs apontadas pelos professores e alunos foram mais uma vez a necessidade do conhecimento do processo associado, barreira cultural, a complexidade das plataformas, o conhecimento de múltiplas plataformas em um único processo e a obsolescência. 

Os OAs se demonstraram aplicáveis para cursos de engenharia civil, arquitetura e urbanismo, expressão gráfica e de técnico em edificações. As principais utilidades dos OAs são capacitação BIM discente e docente, material de aprendizado extraclasse e material que ordena integralmente ou parcialmente uma disciplina. Segundo a opinião dos professores e alunos, os OAs podem ser utilizados integralmente como estão ou parcialmente, i.e., utilizando apenas os módulos de interesse da disciplina, indicando uma boa receptividade ao conteúdo didático oferecido. Quanto aos tipos de disciplinas que os OAs podem apoiar percebeu-se uma distribuição equiparada entre disciplinas de informática aplicada, de introdução ao BIM, ateliê de projeto, gerenciamento e orçamentação. Esta distribuição demonstra o amplo potencial de aplicação no ensino dos OAs desenvolvidos no Projeto Construa Brasil.

Pode-se constatar que os OAs desenvolvidos para o apoio técnico às Células BIM no Projeto Construa Brasil têm um impacto que ultrapassa as duas universidades envolvidas. O conteúdo desenvolvido é inédito e demonstra interesse internacional. De forma peculiar, observamos que as ameaças estão relacionadas com a essência do BIM reforçando a complexidade envolvida na adoção do BIM e a necessidade de instrumentos de apoio à capacitação.

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Biografia do Autor

Regina Coeli Ruschel, Universidade Estadual de Campinas

Doutor em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual de Campinas. Professor Colaborador na  Universidade Estadual de Campinas (Campinas - SP, Brasil).

Caroline Kehl, Universidade Estadual de Campinas

Mestrado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade na Universidade de Campinas (Campinas, SP - Brasil).

Caroline Sampaio, Universidade Estadual de Campinas

Graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mestranda no Programa de Pós-graduação em Arquitetura, Tecnologia e Cidade na Universíada Estadual de Campinas (Campinas - SP, Brasil).

Referências

BRASIL – Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. Construa Brasil. 2022. Disponível em: https://www.gov.br/mdic/pt-br/assuntos/ambiente-de-negocios/competitividade-industrial/construa-brasil. Acesso em: 5 fev. 2025.

HODGINS, H.Wayne. The Future of Learning Objects. Educational Technology, Vol. 46, No. 1, Special Issue on Learning Objects (January-February 2006), pp. 49-54 (6 pages). Disponível em:https://www.jstor.org/stable/44429269. Acesso em: 5 fev. 2025

SOSTERIC, Mike and HESEMEIER, Susan. When is a Learning Object not an Object: A first step towards a theory of learning objects. The International Review of Research in Open and Distributed Learning. v 3, n 2, October 2002 DOI: https://doi.org/10.19173/irrodl.v3i2.106

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Publicado

2025-08-18

Como Citar

RUSCHEL, Regina Coeli; KEHL, Caroline; SAMPAIO, Caroline. Objetos de aprendizagem BIM do Projeto Construa Brasil: avaliação. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE O ENSINO DE BIM, 6., 2025. Anais [...]. Porto Alegre: ANTAC, 2025. DOI: 10.46421/enebim.v6i00.7860. Disponível em: https://eventos.antac.org.br/index.php/enebim/article/view/7860. Acesso em: 4 maio. 2026.

Edição

Seção

Materiais didáticos desenvolvidos