O uso do BIM no ensino de projeto de arquitetura hospitalar na Universidade Federal de Roraima
DOI:
https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7863Palabras clave:
Ensino BIM, Projeto de Arquitetura, Hospitalar, RDC 50, ModelagemResumen
A aplicação dos softwares BIM nas aulas de projeto arquitetônico foram acontecendo em forma natural com o avanço computacional, oferecendo ao aluno novas possibilidades desde a criação do conceito até a integração do projeto executivo com outras especialidades (Azevedo et al., 2023). A Modelagem da Informação da Construção (BIM) no ensino de Projeto de Arquitetura Hospitalar na graduação do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR), compreende-se como um processo desde os estágios iniciais na concepção do conceito e partido arquitetônico de um projeto complexo como o hospitalar. O ensino da arquitetura hospitalar na graduação dos cursos de Arquitetura e Urbanismo no Brasil é desafiador para professores e alunos, por ser uma tipologia arquitetônica de alta complexidade, com uma normatividade específica e abrangente para cada setor hospitalar. Geralmente é ministrado nos últimos anos da formação na graduação onde o aluno já tem certo domínio da atividade de projeto arquitetônico assim como extenso embasamento teórico (https://www.badermannarquitetos.com.br/post/teoria-e-prática-razão-e-sensibilidade-difundindo-a-arquitetura-hospitalar-na-graduação).
A motivação pelo tema se deu a partir da formação profissional como Arquiteto e Urbanista e principalmente por lecionar a matéria de Projeto de Arquitetura V – Hospitalar na UFRR, desde o ano de 2020 permitindo-me ter essa experiência no ensino. A matéria está inserida na grade curricular como obrigatória no 7° semestre correspondente ao Núcleo de conhecimentos profissionais no eixo de projeto de Arquitetura e Urbanismo e de Paisagismo com carga horária de 90h, divididas em 30h de teoria e 60h de prática. Projeto pedagógico do Curso de Arquitetura e Urbanismo-UFRR, 2017). O texto tem como objetivo relatar e discutir a experiência de aplicação do BIM, desenvolvida no ensino de graduação no semestre de 2024.2, na disciplina de Projeto de Arquitetura hospitalar do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFRR, na qual se matricularam 23 alunos. O tema proposto foi elaboração de anteprojeto arquitetônico: Hospital Maternidade em Boa Vista-Roraima, por ser um tema com programa extenso e complexo recomendou-se aos alunos que se agrupassem de dois ou três pessoas resultando: 5 grupos de 3 alunos, 3 grupos de 2 alunos, 1 aluno fez o tema individual e outro desistiu. Como estratégia, foi proposto observar e avaliar o processo de projeto com as ferramentas BIM, assim como adotar os softwares Revit 2025 e Archicad 27 para análise e visualização dos arquivos. A metodologia aplicada pode ser descrita como: (i) descritiva bibliográfica - propôs descrever o processo do uso do BIM no ensino de graduação e procurar informações em fontes bibliográficas de referência; (ii) qualitativa - destinado a coleta de dados e interpretação dos resultados do uso do BIM no processo de projeto em sala de aula. Na primeira etapa, destinada ao embasamento teórico sobre Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS) e análise da RDC 50[1], partido arquitetônico, estudos de setorização, análise do entorno, sistema viário, usos do solo e análises bioclimáticas, alguns grupos fizeram os primeiros estudos a mão e outros já aplicando softwares BIM ou softwares de apresentação como o Canva[2], PowerPoint e Sketchup. Definido o partido arquitetônico, ficou estabelecido que o aluno podia escolher livremente o software BIM que atendesse às suas necessidades projetuais, assim, pôde-se dar início à modelagem do objeto de estudo BIM com as condicionantes do programa de necessidades estabelecido. Ao final do processo, o material foi entregue com extensão. rvt que é a extensão de arquivo principal para projetos do Revit e .pln que é a extensão principal para salvar projetos em ArchiCAD. Definindo-se que os grupos em cada etapa do processo projetual com entregas escalonadas, pudesse ter um modelo paramétrico do objeto arquitetônico e seus elementos construtivos, trabalhando-se desde os conceitos iniciais até a proposta final do anteprojeto (Souto, 2020).
Os grupos foram incentivados a trabalhar suas propostas através da associação de desenhos à mão e no computador, utilizando o conceito BIM através de softwares específicos de sua escolha. Os alunos entregaram os arquivos do trabalho final em uma pasta criada e compartilhada pelo professor no Google Drive, contendo o modelo paramétrico, os documentos técnicos (pranchas) em PDF e o memorial descritivo em DOCX. Pode-se observar a porcentagem de uso do software BIM no desenvolvimento do tema, para um total de 23 alunos na turma: 74% utilizaram o Revit, seguidamente com 26% o ArchiCAD. O processo de desenvolvimento do anteprojeto dispôs de análises do entorno, visita in-loco ao terreno, análises bioclimáticas, análises de fluxo viário, normativas, organograma, zoneamento e volumetria. Como produto final para avaliação os grupos entregaram: (i) arquivo do proposta final (modelo 3D) salvo em Revit e Archicad; (ii) planta de situação, planta de locação, planta geral, planta tipo, planta técnica, planta de cobertura, cortes, fachadas e memorial descritivo arquitetônico, destaca-se a importância de mostrar os elementos construtivos da proposta (pilares, shaft, instalações de agua fria, instalações de agua quente e gases), assim como os materiais aplicados, organização espacial e paisagismo.
Como resultados alcançados, destaca-se que o BIM facilitou todo o processo projetual em um só arquivo, agilizando as modificações. A interação com o objeto 3D facilitou a compreensão da proposta através de softwares complementares como o Lumion criando cenas mais realistas. A principal limitação na aplicação do BIM no ensino do projeto de arquitetura foi a falta de conhecimento do software a nível médio por parte do aluno, o qual cria limitações para sua proposta. Em alguns casos o aluno não tem o conhecimento complementar de estruturas e materiais para criar um modelo 3D mais realista. Concluímos que o processo BIM facilitou a atividade projetual na sala de aula, fica ao professor acompanhar essas mudanças e ao aluno atualizar-se.
[1] Resolução de Diretoria Colegiada 50 (RDC 50), regulamento técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde. < https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2002/res0050_21_02_2002.html> Acesso 15 de abril de 2025.
[2] É uma plataforma online de design e comunicação visual que tem como destaque sua facilidade no uso e publicação em diferentes plataformas < https://www.canva.com/pt_br/about/> Acesso 25 de abril de 2025.
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Citas
AZEVEDO, V.; LIRA, H.; MORAES, A.; VASCONCELOS B. Aplicação do BIM na Educação: ampliando a eficácia do ensino de projeto por meio da integração com a realidade aumentada. In: ENCONTRO NACIONAL SOBRE O ENSINO DE BIM, Aracajú, 2023. DOI: https://doi.org/10.46421/enebim.v5i00.3475.
DEPARTAMENTO DE ARQUITETURA E URBANISMO – Universidade Federal de Roraima (DAU – UFRR), Projeto Pedagógico do Curso de Arquitetura e Urbanismo. Boa Vista, 2017.
SOUTO, A.E; CONTO, V. ABORDAGEM CONTEMPORÂNEA PARA ENSINO E APRENDIZAGEM DE PROJETO ARQUITETÔNICO Os meios analógicos, digitais e sua relação na formação e atuação do arquiteto. Revista de Arquitetura, Cidade e Contemporaneidade-PIXO, Rio Grande do Sul, v. 4, n. 15, p. 100-121, Primavera de 2020.
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