O processo de concepção e construção da Coroa de Iemanjá
Entre o saber técnico e o território vivo
DOI:
https://doi.org/10.46421/euroelecs.v6.8076Palavras-chave:
Bambu, Tecnologia ancestral, Ritual, Arquitetura participativa, Baía de GuanabaraResumo
A Coroa de Iemanjá consiste em uma pequena estrutura de bambu de 9m², projetada e construída coletivamente. O projeto é fruto da colaboração entre diversos atores e coletivos, em especial do projeto de extensão, ensino e pesquisa Floresta Cidade da FAU-UFRJ, da Grande Companhia Brasileira de Mystérios e Novidades, do Quilombo do Feital e de coletivos artísticos do Rio de Janeiro. A construção envolveu um tratamento não convencional de bambu, por meio de sua imersão nas águas da Baía de Guanabara, em um gesto ritualístico, marcando o trabalho com perspectivas contracoloniais e colaborativas advindas dos territórios parceiros. A experiência de projeto e execução da Coroa de Iemanjá expande os limites pedagógicos, epistêmicos e culturais, buscando um diálogo participativo com outras formas de vida, como a Baía de Guanabara. Essa atitude, não rara nas perspectivas afro-indígenas no Brasil, está em grande parte ausente do debate ecológico do projetar e construir em diálogo com a crise climática. Assim, os esforços empreendidos nesse projeto também debatem a noção de ecologia ligada à construção, mostrando a importância de uma dimensão sensível de relação com modos de vida não humanos. A experiência configura-se, portanto, como uma experiência ensaística, participativa, coletiva e holística dos modos de ser, habitar e construir uma floresta-cidade.
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