“Memória do Lugar”

Apagamentos e disputas pela narrativa urbana no Rio de Janeiro pós-ditadura

Autores

  • Pamela Paris Universidade Federal do Rio de Janeiro- PROARQ

DOI:

https://doi.org/10.46421/euroelecs.v6.8050

Palavras-chave:

Memória, Ditadura Militar, Espaços Urbanos, Narrativas

Resumo

Este artigo investiga a relação entre memória, espaço urbano e cidade no contexto da ditadura civil-militar brasileira (1964–1985), com foco na cidade do Rio de Janeiro. Ao analisar a produção do espaço e suas implicações na memória coletiva, busca-se compreender como certos lugares urbanos, marcados por repressão ou resistência, permanecem ativos na experiência dos indivíduos que vivenciaram aquele período. A partir da análise de depoimentos e registros memoriais, argumenta-se que a cidade abriga uma paisagem fragmentada, onde espaços esquecidos ou ignorados são reativados por memórias traumáticas. A pesquisa propõe o conceito de “memória do lugar” para entender como esses locais se tornam evitados ou ressignificados, revelando as tensões entre história oficial e vivências silenciadas. Com base em autores como Certeau e Benjamin, discute-se o papel do urbanismo na construção de cidades mais justas e inclusivas, reconhecendo a importância da memória na conformação do espaço. Assim, o estudo contribui para o debate sobre memória urbana e sua função crítica na reconstrução de identidades e no enfrentamento dos apagamentos históricos impostos pelos regimes autoritários.

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Publicado

22-12-2025

Como Citar

Paris, P. (2025). “Memória do Lugar”: Apagamentos e disputas pela narrativa urbana no Rio de Janeiro pós-ditadura. Encontro Latino-Americano E Europeu Sobre Edificações E Comunidades Sustentáveis (euroELECS), 6(1), 1–10. https://doi.org/10.46421/euroelecs.v6.8050