Formação em BIM estrutural com TQS
uma prática de extensão do LaBIM UFBA
DOI:
https://doi.org/10.46421/enebim.v6i00.7848Palavras-chave:
Modelagem de Estruturas de Concreto, Modelagem de Sistemas de Exibição, TQS, BIMResumo
As ferramentas baseadas na metodologia BIM vêm se consolidando como recursos recorrentes nos escritórios e obras. Contudo, conforme apontado por Eastman et al. (2014, p. 281), o principal obstáculo à sua adoção em larga escala não reside na tecnologia em si, mas na escassez de equipes devidamente capacitadas para operá-la. Considerando os benefícios que o BIM oferece ao setor da Construção Civil, torna-se estratégica a sua inserção na formação de engenheiros, arquitetos e demais profissionais da área. Tal diretriz está em consonância com os objetivos delineados na Estratégia BIM BR, conforme estabelecido no Art. 2º do Decreto nº 11.888/2024 e reiterado no Plano de Trabalho Nova BIM BR, que estabelece, entre outras metas: “difundir o BIM e os seus benefícios” (inciso I), “estimular a capacitação e a formação profissional em BIM” (inciso V) e “promover o uso do BIM para fomentar a construção industrializada e sustentável” (inciso XI). Nesse contexto, identificou-se uma oportunidade concreta de ampliar a disseminação dos conhecimentos sobre a metodologia BIM no ambiente acadêmico, promovendo capacitação técnica como instrumento de fomento à inovação e à qualificação profissional. Assim, os membros do Núcleo de Estruturas do Laboratório de Práticas em BIM da Universidade Federal da Bahia (LaBIM UFBA) conceberam e executaram um curso autoral focado no software TQS, com ênfase em projetos estruturais. A proposta visou expandir os limites tradicionais da extensão universitária ao integrar ensino, prática profissional e formação técnica. A experiência, situada no estágio de competência básica conforme o modelo de maturidade proposto por Succar et al. (2013, p. 4), consistiu em um curso complementar presencial, ministrado no Laboratório de Graduação da Escola Politécnica da UFBA em 9 de novembro de 2024, contando com a participação de 11 alunos. O conteúdo foi elaborado com base nas práticas desenvolvidas pelo Núcleo de Estruturas, que se destaca por ser o único dentre os núcleos do LaBIM a utilizar o TQS como ferramenta principal para modelagem e análise estrutural.
Além do ensino técnico da ferramenta, o curso incorporou discussões sobre a interoperabilidade BIM e sua aplicação nos projetos estruturais, conforme os princípios pedagógicos e operacionais do LaBIM (Moura et al., 2023, p. 2). A metodologia empregada foi fundamentada na abordagem Project-Led Education (PLE), já adotada pelo laboratório (Silva et al., 2017, p. 1), e privilegiou a aprendizagem ativa por meio de projetos interdisciplinares. O conteúdo programático contemplou todas as etapas do processo de modelagem no TQS: lançamento de pilares, vigas, lajes e fundações, aplicação de carregamentos, processamento da estrutura e apresentação de funcionalidades BIM como BCF e IFC. A condução das atividades coube a dois instrutores e quatro monitores do Núcleo de Estruturas, que atuaram de forma coordenada para assegurar o acompanhamento individualizado dos participantes e a fluidez do processo didático. Com duração total de quatro horas, o curso contou com o apoio institucional da TQS Informática, que disponibilizou licenças educacionais da versão Pleno do software, além de materiais didáticos e interativos desenvolvidos pelos próprios membros do Núcleo, em consonância com a metodologia consolidada do LaBIM. Sob a ótica das políticas públicas de disseminação do BIM e alinhado ao estágio de modelagem do esquema conceitual da BIMe Initiative (2015, 2016), o curso abordou os usos de Modelagem de Estruturas de Concreto (1050) e Modelagem de Sistemas de Exibição (1080), conforme tipologia do BIM Excellence (2017), voltadas à documentação e à interoperabilidade interdisciplinar.
A avaliação de resultados foi realizada por meio de formulário eletrônico de satisfação, cujas respostas indicaram ampla aprovação por parte dos participantes. Destacaram-se positivamente a pertinência do conteúdo, a clareza dos conceitos abordados, a qualidade dos materiais e a didática dos ministrantes, sendo registrado um índice de aprovação de 100%. Alguns alunos sugeriram a ampliação da carga horária e manifestaram interesse em cursos de nível avançado e em outras ferramentas BIM. O conteúdo do curso foi estruturado com foco na integração entre a disciplina de estruturas e demais áreas de projeto, em consonância com a abordagem colaborativa adotada pelo LaBIM. Essa perspectiva permitiu que o curso refletisse não apenas aspectos técnicos, mas também a dinâmica real de desenvolvimento de projetos em BIM. O escopo preparatório da atividade foi consolidado em um relatório técnico, elaborado com vistas à replicação futura do curso, o qual reúne diretrizes operacionais, conteúdo programático e metodologia aplicada, constituindo-se como guia de referência. O processo de preparação envolveu seis semanas de trabalho intensivo, durante as quais os membros do Núcleo elaboraram o conteúdo, modelagens, materiais didáticos, estratégias de divulgação e organização do espaço físico, além da realização de um curso-piloto. Essa experiência revelou-se enriquecedora tanto para os participantes quanto para os ministrantes, que consolidaram competências técnicas e didáticas e reafirmaram o papel do LaBIM como ambiente propulsor da capacitação em BIM na formação profissional. Ao compartilhar conhecimentos construídos na vivência acadêmica, os membros do Núcleo demonstraram maturidade e protagonismo, evidenciando o potencial do grupo e do Laboratório como agentes transformadores no ensino e aplicação da metodologia BIM.
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Referências
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